quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Terça tem teatro: Máquina de dar certo



SINOPSE
Pessoas trancadas em um cômodo são submetidas a uma série de estímulos sonoros e visuais para a espetacularização do condicionamento humano. Como nos experimentos de Frederic Skinner, elas são constantemente testadas: têm que executar as tarefas e coreografias determinadas por um comando cuja identidade é desconhecida.

SOBRE MÁQUINA DE DAR CERTO
Máquina de Dar Certo é o resultado artístico do processo que a Cia. Bruta de Arte iniciou em novembro de 2010 a partir do estudo sobre o Behaviorismo ou Comportamentalismo, corrente de ideias que mudou o foco da psicologia em meados do século XX. Como nos experimentos da caixa de Skinner - inspiração central do espetáculo -, os 10 atores, em cena a todo momento, são constantemente testados: têm que executar as tarefas e coreografias determinadas pelo comando.
O grupo levantou questões sobre as diferentes formas de interatividade, as regras comportamentais, o observado e o observador e o enclausuramento - abordagens recorrentes em seus últimos trabalhos: Cine Belvedere e El Truco - surgindo, então, o tema do Behaviorismo. O condicionamento para executar coreografias, a adequação às regras comportamentais e a possibilidade de pertencimento também surgiram como temas definitivos.
Aos poucos a estrutura de uma experiência ganhou recheio, aproximando-se dos experimentos de Frederic Skinner sobre o comportamento. Psicólogo precursor do chamado “behaviorismo radical”, Skinner criou a “máquina de ensinar”, espécie de aparelho de perguntas e respostas que, segundo ele, facilitaria a aprendizagem de alunos em escolas. Também popularizou as experiências com objetivo de “moldar” comportamentos em animais e até crianças. Utilizava reforços positivos e negativos como sons e luzes para alcançar essa finalidade.
Para o processo de criação, a “máquina de ensinar” se transformou na “máquina de dar certo”.O grupo utilizou-se de repetições exaustivas e testes de assimilação com estímulos sonoros e visuais. Os personagens surgiram na exploração do idiota que existe em cada um, dando espaço a um experimento em que pessoas tentam inserir-se em qualquer lugar. Essa exploração interior e a idéia de reconhecimento serviram como ponto de partida para a pesquisa. A
prisionados e constantemente vigiados, eles se submetem ao experimento, mas não sabem sequer quem é o comandante. A voz que os comanda vem de um lugar que nenhum deles alcança, é inatingível. O condicionamento, a adequação às regras e a possibilidade de pertencimento são temas centrais do espetáculo. Máquina de Dar Certo é um fragmento na vida desses personagens que se submetem a um invento espetacular com o intuito de se adequar, de serem reconhecidos e aceitos, de darem certo de alguma maneira.
Na elaboração do trabalho, o grupo buscou, além das referências científicas de Frederick Skinner, outros estímulos artísticos na música, dança, artes plásticas, teatro e cinema: as pinturas do artista plástico Jean Rustin, o espetáculo “Kontakhof”, de Pina Baush, alguns trabalhos do coreógrafo Jêrome Bell, “A Classe Morta”, de Tadeus Kantor, e o filme “Os Idiotas”, de Lars Von Trier.
Máquina de Dar Certo estreou em 31 de março de 2012 no Espaço Parlapatões, em São Paulo, onde cumpriu temporada até 16 de junho de 2012.

FICHA TÉCNICA

Direção: Roberto Audio
Atores: Ana Lúcia Felippe, Angela Ribeiro, Marba Goicochea, Paulo Maeda, Ricardo Socalschi, Teka Romualdo, Thammy Alonso, Tico Dias, Wanderley Salgado e Washington Calegari
Assistente de Direção: Paulo Maeda
Iluminação: Paulo Maeda e Mário Spatziani
Trilha Sonora: Cia. Bruta de Arte, Thammy Alonso e Diego Rodda
Música Original: Helder da Rocha
Figurinos: Angela Ribeiro e Melissa Campagnolli
Projeto Gráfico: Angela Ribeiro
Produção: Cia. Bruta de Arte

Apresentação única no dia 25/10, às 20h.
Itaú Cultural, Sala Itaú Cultural (piso térreo) 
Avenida Paulista, 149 - São Paulo/SP.


Entrada gratuita

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Poesia na Idade Mídia - POEMARIA

Portal e aplicativo independentes e gratuitos voltados à poesia foram idealizados por Davi Kinksi

Poemaria nasceu para disseminar poesia. Inicialmente surgiu como uma proposta de filme longa-metragem para compartilhar com o espectador o rico e genuíno processo criativo de pessoas que tem a retórica como ferramenta de trabalho; atores, escritores e poetas e jornalistas. Aos poucos o filme foi se desdobrando em série documental, dividida em 12 episódios, com 36 entrevistados. Ambos em produção.

O Poemaria será lançado no dia 13 de setembro, no Reserva Cultural, como um portal transmídia (www.poemaria.com.br) para agregar o conteúdo do aplicativo DECLAMAÍ, o primeiro divulgador de poesia e declamações desenvolvido para smartphones, no qual qualquer pessoa poderá ler/declamar uma poesia de sua preferência, que também será apresentado ao público no sarau poético, e de um blog com textos sobre poética e os vídeos e textos de jornalistas que acompanharam as gravações das 22 entrevistas realizadas até agora.

Personalidades como Leona Cavalli, o deputado Jean Wyllys e o escritor Marcelino Freire, a apresentadora e atriz Marília Gabriela, a poeta Adelia Prado declamam poesias de Florbela Spanca, Álvaro de Campos, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, e falam da influência desse gênero literário em suas vidas.

Idealizado pelo diretor, ator e poeta, Davi Kinski e realizado com o auxílio de uma equipe de mais de 20 profissionais, o Poemaria tem o intuito de democratizar o acesso à poesia e à literatura, engajando o público a abrir as páginas dos seus livros prediletos e dividir essa experiência com outras pessoas pelo mundo através do seu telefone, num aplicativo totalmente gratuito.

"Homens e mulheres públicos, que servem algum segmento do seu povo, deveriam agir mais como poetas. Acho lamentável que a cultura não seja utilizada como um meio de mobilidade e de inclusão social", opina o Wyllys em sua participação no blog. Leona Cavalli indica: "poesia é o caminho mais pacífico e mais feliz de se viver". Enquanto o escritor Marcelino Freire acredita que a poesia é a linguagem no seu estado mais bruto e mais primitivo e se surpreende com o fazer poético: "Tantas coisas belíssimas que os poetas fizeram. A palavra no seu lugar exato. O poeta é aquele cara que olha as coisas pelo avesso".

Em Poemaria a palavra é protagonista. É dela que surge o homem real, nos palcos e nas ruas, e suas vontades e desejos. Para Davi Kinski, a realização de um projeto sobre o poder e preciosidade da palavra inventiva faz parte de uma investigação que se refere à relação entre literatura, audiovisual e interpretação. “O movimento poético ocorre, pois é preciso poemas”, resume.

Poemaria é, sobretudo, um processo construído por quem acredita que a poesia faz e deve fazer cada vez mais parte do cotidiano das pessoas.



   
DECLAMAÍ é o primeiro aplicativo (App) para smartphones – inteiramente gratuito – no qual o internauta poderá participar ativamente do projeto que envolve a realização de um longa-metragem, uma série documental, um livro e um blog.

Os vídeos feitos através do aplicativo serão compartilhados nas redes sociais e divulgados no site www.poemaria.com.br, onde abriga boa parte do projeto.

O DECLAMAÍ vai permitir que as pessoas não só escolham um poema para recitar, como também poderão gravar sua imagem, que será dividida com outros internautas mundo afora, ou apenas com quem desejar, através desse projeto que torna a palavra protagonista de nossas vidas, o que nos humaniza, e permite que qualquer pessoa dê seu recado. Melhor dizendo, declame sua poesia. “Queremos inundar a grande rede com poesia, promovendo o primeiro ‘Sarau Virtual’ em terra Brasilis. Dessa forma, queremos viralizar na internet a importância e pertinência da poesia”, vislumbra Kinski.

Para os entendidos do assunto, poesia é a fina flor da literatura. Mas também é uma ação que atesta a existência humana. Certa vez, a poetisa portuguesa Maria Tereza Horta disse que uma sociedade na qual se produz poesia é uma sociedade capaz de ser salva. De maneira que, para os realizadores do projeto, a poesia não é algo que está enclausurado nos cânones ou nos púlpitos acadêmicos, a poesia é uma possibilidade de comunicação e interação entre as pessoas. Famosos e anônimos. Comunicadores das multidões e pessoas que circulam pelas ruas e que nunca se verão pessoalmente. Porque a poesia é capaz de salvar a todos do marasmo e do anonimato dos dias comuns.



O idealizador e realizador do projeto
Davi Kinski escreve poesia desde os 15 anos. Nascido em São Paulo, já conta com uma vasta produção artística nos seus 28 anos recém-completos. Ele nasceu em 14 de agosto de 1988. Logo ali. Tão menino e tão vasto em trajetória no teatro e cinema. Formou-se como ator pela Actor School Brazil e em cinema pela Academia Internacional de Cinema. Já dirigiu sete curta-metragens, dentre eles Cineminha, de quem também é responsável pelo roteiro, protagonizado pelas atrizes Etty Fraser e Caty Stwart. É autor do livro de poesia, Corpo Partido (Editora Patuá -2014), que já foi traduzido para o francês. Recebeu indicação para Melhor Ator, no Festival de Gramado em 2008, em sua atuação no filme Nome Próprio, de Murilo Salles e no teatro, encenou Aurora da Minha Vida, Lisístrata, Bailei Na Curva e O Grande Jardim das Delícias de Fernando Arrabal. Em 2011 estreou em seu primeiro monólogo “Lixo e Purpurina”, baseado em textos de Caio Fernando Abreu, cumprindo temporada de sucesso de público no SESC Pompéia. 

Poemaria e Declamaí serão lançados em Sarau Poético,
dia 13 de setembro, terça-feira, às 20h, no Reserva Cultural, com a participação de atrizes, atores, escritores e poetas


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ecos Latinos faz parceria com espetáculo teatral para agosto em SP

O Projeto Ecos Latinos, uma das iniciativas ligadas a imigrantes vem procurando levar a literatura latino-americana e cultura à cidade. E essa estratégia também inclui parcerias com outros meios culturais, como o teatro.

A mais nova ação é em conjunto com a Marba Goicochea, atriz peruana, responsável pela peça de teatro “O Mal Dito”, inspirado em "Os Cantos de Maldoror" de Isidore Ducasse.



Sinopse:

O Mal Dito é uma rebelião extrema contra a sociedade e o mundo, é uma visão do avesso, do abissal do perverso! Os cantos entoados são regidos pela lógica da metamorfose, repleto de paradoxos, representa a consagração do pensamento analógico, oposto a razão dualista, obedecendo à lógica do delírio, aliando-se a imaginação desenfreada e transbordante.

O Mal Dito está em cartaz no Teatro da Rotina nos dias 15, 16, 22, 23 de agosto, as segundas e terças. O teatro fica na Rua Augusta 912, São Paulo.
O valor da entrada para o espetáculo é de R$ 30, mas quem curtir a nossa página no Facebook e disser na bilheteria que aceitou o convite do Ecos Latinos para prestigiar a peça paga apenas R$ 10 de ingresso, para as primeiras quinze pessoas.

Essa já é a terceira vez que o Ecos Latinos promove uma parceria com uma companhia de teatro. A duas anteriores foram em 2015.

Espetáculo “O Mal Dito”

Interpretação e direção: Fransérgio Araújo

Data e horário: segundas-feiras e terças-feiras, 15, 16, 22, 23 de agosto, a partir do dia 02/07, às 21h.

Local: Teatro da Rotina - Rua Augusta 912, São Paulo (SP).

Entrada: R$ 10 com a promoção Ecos Latinos (inteira custa R$ 30)


Informações: (11) 3582-4479

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A dónde volver, la poesía peruana de Andrea Cabel

Andrea Cabel
A dónde volver
México, Paroxismo, 2016
84 págs.




Andrea Cabel (Lima, 1982) se dio a conocer en la poesía hace más de una década (Las falsas actitudes del agua, 2006), pero su voz había permanecido en silencio largos años hasta llegar a la madurez poética que supone A dónde volver (2016), una suerte de poemas reunidos que son una unidad de obra compuesta por lo que hubo antes, lo que ha habido mientras y lo que se apunta hasta lo próximo.

Del mismo modo que en este lado del Atlántico existen nuevos nombres (Luna Miguel, Laura Rosal, Carmen Crespo, Alicia Reina…) que empiezan a convivir estéticamente y con normalidad con voces de largo alcance y público fiel (Ana Merino, Yolanda Castaño, Vanesa Pérez-Sahuquillo, Ana Gorría, Estelle Talavera…) en una mezcla de voces que la periodista Marta Semitiel ha sabido estudiar con precisión y capacidad crítica, más allá del Océano que separa el mundo hispánico hace precisamente más de una década que el fenómeno se daba en idéntica proporción. De tal suerte que hace ahora diez años leí por vez primera a Andrea Cabel, a la que conocí en Madrid y en interminables llamadas telefónicas (Madrid-Lima) que, de haber sido grabadas, habrían dado para un libro de lo que fue de nosotros y de las letras cuando éramos jóvenes.




Andrea es el verbalismo directo, la ruptura del poemario convencional para experimentar la forma, el fondo y la edición (¿Cómo César Vallejo?); es el decir de una forma que no se decía en el Perú desde el ‘realismo mágico’ o ‘boom’; Andrea es el caligrama, el paratexto, la fuerza narrativa llevada a la poesía; Andrea es la pasión de sus temas personales expuestos en carne viva al público-lector: el amor, el desamor, la desazón, la desolación, la pasión…; Andrea es el verso en prosa y la prosa en verso: es lo que dice y cómo lo dice.

Me acerco ahora a este nuevo poemario que me sorprendió hace quince días y asisto a la máxima expresión de la autora, a la madurez de un proceso creador que nunca había parado. Bien es cierto que me paro detenidamente en el apartado que da título al conjunto, A dónde volver, con poemas como “Volver”, “once”, “habitación 309”, “patafísica”… y siento que he vuelto sobre los orígenes de la poeta, de las aquellas conversaciones sobre letras hechas poesía.

El poema que lleva por título ‘Howard in Waterworks’ resume la esencia poética de Andrea Cabel; no sólo la poeta que fue hace diez años, sino las inercias continuadas en su estilo, con la profundidad de la observación y de la palabra escogida con tiento y precisión. En este inédito (págs. 76-77), lo cotidiano se convierte en materia poética: el estilo directo (“vendí por ejemplo, nuestras conexiones a distancia”), el verbalismo directo presiden la composición (“entre la lluvia y la muerte he vendido nuestras cosas”). El poema, cuya impronta es una inteligente y elegante ruptura del poema y poemario tradicionales, mantiene una vanguardista ruptura con la puntuación tradicional, a la que quizás contribuye el encabalgamiento abrupto que supone todo el conjunto. Ese subjetivismo cotidiano (en el decir, en el nombrar y, sobre todo, en el cómo decir) acercan la palabra, la introspección de la poeta al lector: probablemente un hecho cotidiano (¿una ruptura?) se convierte aquí en una fórmula para nombrar, para componer este inédito que señala que “comienzo a morder la distancia de esta palabra suspendida”. Es cierto que me detengo en este poema, pero todo el libro, una gran agrupación de poemas vitales, vitalistas y ejemplificadores de la poesía de Cabel, viene a responder, además, a una poesía urbana, inteligente y cuidada.


A veces resulta complejo elegir qué voces o qué narradores de Hispanoamérica escoger, entre esa enorme proporción de escritores y poetas que, junto con nosotros, conforman la Literatura de 550 millones de hablantes. Hoy no puedo dejar de pararme y recomendar a Andrea Cabel y su A dónde volver. Simplemente, volver al poema.

Autor: Francisco José Peña Rodríguez (Universidad Autónoma de Madrid)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

21 Gramas: um texto belo, raro, indispensável, guerreiro e lírico.

Márcio Vidal Marinho, nascido e criado no Jardim Ângela, descobre o poder da palavra e sua magia na adrenalina poética que rege os encontros da Cooperifa.
Daí em diante, Márcio torna-se além de autor de uma poesia que surpreende  - e nos atrai irremediavelmente para um imaginário de alta densidade lírica e histórica, - um estudioso  da arte da palavra. Vai fundo e torna-se mestre pela USP discutindo a chave de sua estética: a poética da literatura periférica e a tradição literária brasileira. Tanto seus estudos  quanto sua poesia traduzem precisamente  esta tensão entre o novo e a tradição, entre a História do passado e os duros tempos de violência e desigualdade em que vivemos. 
É assumindo este caminho,  que 21 Gramas produz  um texto poético complexo, onde o passado e o presente históricos se superpõem em camadas de forte interlocução, e onde, ainda em registro polifônico, radicaliza-se permitindo que os duros tempos atuais de violência e desigualdade interpelem os ecos da História da escravidão no Brasil. 
Tecendo este imaginário, perguntas tornam-se leitmotiv em 21 Gramas.  A mais altissonante delas  coloca  uma questão que aqui torna-se epistemológica: “O que será um negro?” Que sentidos históricos, políticos, atávicos se enraízam nesta pergunta?  Pergunta que se desdobra e expande no poema  “Velho canto brasileiro”:
“A única palavra que ouço/Mas não entendo/É negro,
/
Negro, negro….Deve ser o que nos espera à frente /
Deve ser a morte
/O ódio
/O que é um negro, Zaci?”

Uma pergunta que ainda neste poema costura em pontos finos e entrelaçados uma guerra resiliente, que traz de volta a dor da diáspora agora sob “o engatilhar /de uma doze”.
Sua poesia  pulsa, num cenário de ferros e correntes, de mãos atadas, de brados guerreiros abatidos por esta dúvida que não se deixa calar.
Dúvida traçada por vozes inaudíveis, por sons inaudíveis, por palavras inaudíveis (sic, poema “No voice”). Mas que  persiste e se espalha pela margens da cidade  que  “Trazem as histórias do século XX
/ E o desprezo do XXI.” 
A poesia de Márcio Vidal Marinho nos proporciona um texto belo, raro, indispensável, guerreiro e lírico. Nos apresenta a poesia negra moderna e erudita de um tempo, como disse o poeta,  em que “os navios não são mais negreiros”.

Em 2015, 21 Gramas, recebeu, como trabalho inédito, Menção Honrosa, no 23° Programa Nascente da USP. Agora publicado, vai se tornar uma referência importante no panorama aquecido da nova poética da periferia. 

21 Gramas tem data marcada para seu lançamento. Dia 13 de agosto.
Estamos todos convidados!

Heloisa Buarque de Hollanda
Ensaísta, escritora, editora, crítica literária e pesquisadora brasileira. É autora de muitos livros, entre eles, Macunaíma, da literatura ao cinema26 Poetas HojeImpressões de ViagemCultura e Participação nos anos 60Pós-Modernismo e PolíticaO Feminismo como Crítica da CulturaGuia Poético do Rio de Janeiro; Asdrúbal Trouxe o Trombone: memórias de uma trupe solitária de comediantes que abalou os anos 70; ENTER Antologia Digital e Escolhas, uma autobiografia intelectual.



sexta-feira, 1 de julho de 2016

América Latina: Um eco literário

Discurso para lançamento de Daqui e Dali, por Robson Di Brito.



Discurso proferido no Lançamento da Antologia Poética “Daqui e Dali”, promovido pelo Programa Ecos Latinos.

Os mitos foram formados por seres espectrais que os traduziram em palavras, e foram todos situados em terras mágicas entre o humano e seu imaginário. Neste ápice da gênese literária humana, os povos autóctones Daqui e Dali criaram lendas que ainda nos intrigam.

Desta forma, constato: nós, América Latina, somos a pulsação da literatura. Antes mesmo de sermos bombardeados pela disciplinadora ciência, pela gananciosa ambição comercial, pela concupiscência política, pelo acaso do achado de terra, dito pelos europeus – somos literatura!

Depois, mais metafísica mitológica se imiscuiu em nossas terras. E abaixo do estalo arregimentado do sofrimento, o negro pintou a América, do norte ao sul, de mais mitos. Diante de tal espetáculo secular que enoja e inebria – não é à toa que o desenvolvimento da identidade americana, e aqui destaco, da América latina – é um dos principais fatos da idade moderna e significa um dos maiores desafios já apresentados à imaginação criativa.

As cartas, diários e literatura informativa estão repletos de fascínio e imaginação, que este “jardim do Éden” ou entrada dantesca para o inferno, produziu nos exploradores colonizadores. Comandamos os desejos, inventamos salvações e condenações para qualquer fuga que possa existir “extra-literatura”.

Assim em pleno desenvolvimento do século XX, enclausurados na tradicional literatura; como bravos descendentes de bárbaros (em seu sentido mais sublime) abrimos espaço para uma nova escrita. Emergimos de nossas experiências, que ora tangem nosso sexo, nossas dores, nossas alegrias e nossas esperanças – e num caldeirão formamos a literatura fantástica.

Sensíveis ao revés do tempo e do espaço, observadores perspicazes que somos, lançamos em literatura o espirito crítico, mas sempre envolto na sátira – porque sabemos sorrir e gargalhar, como ninguém no globo terrestre.

Como esquecer as elevações da imaginação subjetiva do romantismo de Simon Bolívar? E quando pensaríamos que um mestiço, autodidata, na margem da sociedade cunharia um dos maiores enigmas que a literatura produziu? Afinal, apenas Machado de Assis poderia nos afirmar: Capitu traiu ou não Bentinho?

Não saberíamos o que é o continente sem os cantos históricos de José María Heredia. E nossos costumes como americanos, quem foram os primeiros a registrar-nos? Não foi Darwin, já desconstruo seu “eurosonho”. Foi o mexicano José Joaquín Fernándes, o peruano Ricardo Palma, o argentino José Hernándes, o brasileiro José de Alencar, o equatoriano José Joaquín de Olmedo. Estes nos representaram antes mesmo que esta palavra ganhasse força na nossa contemporaneidade.

E como esquecer delas? Aquelas sensíveis mulheres que adentraram a alma e nos revelaram o que de mais fundo a literatura pode ir. Sem findar-se em fim. Seria muito estupido de minha parte não recordar as dicotômicas poesias da cubana Gertrudis Gómez. Ou as secas, mas quentes poesias da peruana Clorinda Matto. As modernas combinações linguísticas da uruguaiana Delmira Agustini, da argentina Alejandra Pizarnik. Os dilemas dos povos indígenas ganharam corpo na “multiescritora” mexicana Rosario Castellanos. E aqui, no Brasil, sobre palanques onde homens ditaram regras, ela se lançou como Pagu. Patrícia Galvão elevou o feminismo brasileiro para um patamar nunca visto: a literatura.

Outros tantos e outras tantas que nos invadiriam com suas palavras formaram o que chamamos de literatura latina americana. E hoje estamos aqui, nós, propensos autores descendentes desta safra genuína de grandes palavras.

Daqui e Dali; é muito mais que uma coletânea de poemas. É o grito guerreiro de um povo que emerge banhado pelos Oceanos Pacífico e Atlântico sul. Somos a forma da resistente, que mesmo diante do humor inglês que impera em nossos dias, ainda gargalha das vicissitudes que apenas a terra vermelha da América pode nos dar.

Somos mulheres e homens, moldados, mudados e transmutados pelos domínios surdos do controle econômico, mas que não se permitem deixar de criar. Somos o silêncio da desigualdade que escandaliza. A opressão das vozes seladas pelo poder – mas que se escancaram na literatura e bradam contra seus tosquiadores.

Esta noite, somos literariamente a voz da literatura latino americana.

Obrigado ao projeto Ecos Latinos por proporcionar tão sublime trabalho. Obrigado autores por impregnar nesta coletânea sua alma, e elevar sua voz. Parabéns àqueles que lerem este livro, você está recebendo a moderna alma latina em forma de literatura.

Muito obrigado.

Robson Di Brito

Pesquisador de literatura afro e afro-brasileira pela UFVJM. Organizador da coletânea de poemas “Iluminatus”, por Clube de Autores, 2013/SP. Coautor de “É duro ser Cabra na Etiópia” (Contos) com edição da atriz Maitê Proença, por Editora Agir, 2013/RJ. Autor de “Relacionamento com uma gata” (contos-crônicas), por Clube de Autores, 2014/MG; “A voz de Tina” (peça teatral), por Clube de Autores, 2015/MG e Mãe, Pai e Lógunède (Poesia), por Clube de Autores, 2016/MG.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O saber que transforma - lançamento

No dia 27 de agosto acontece o lançamento do livro-reportagem "O saber que transforma", na Bienal do Livro de São Paulo. 


A seguir, conheça mais detalhe sobre este livro:




Nivaldo, Tainá, William, Cleusa, Alípio e Sônia são seis brasileiros que, apesar de suas histórias de vida tão diferentes, apresentam um ponto em comum: a paixão pelo saber. Todos eles encontraram na escola e na busca pelo conhecimento o caminho que os levou à satisfação profissional e pessoal.
Até chegar a São Paulo para fazer faculdade e organizar seus saraus, Nivaldo venceu grandes distâncias no interior da Bahia. Tainá, apesar da pouca idade, já participou de projetos sociais importantes e tem uma visão bastante contundente sobre as dores da vida.
O professor William Sanches começou sua vida numa barraca na feira e de lá ganhou o mundo com seus livros, suas aulas e suas palestras. Cleusa foi à Índia e à França em busca de respostas; encontrou muitas, mas as mais importantes estavam dentro de si mesma. O professor Alípio encontrou muitas pedras, porém superou todos os obstáculos que a vida colocou em seu caminho. E finalmente Sônia, com um sorriso nos lábios, venceu todas as suas dores físicas e psíquicas para seguir sua vocação.
E, conforme as verdades de cada um vão sendo desveladas pela narrativa jornalística de suas biografias, todos enfrentam brigas, disputas e desilusões, mas vencem tudo com esperança, força e êxito. É através do conhecimento e da paixão pelo saber que eles se reencontram com a verdadeira essência de suas próprias vidas.



Jamil Alves é jornalista e linguista. Nascido na capital paulista, seu interesse por Jornalismo iniciou-se bem cedo, quando começou a lecionar Relações Internacionais na extinta Unimarco.  Depois de atuar em várias instituições, dentre elas a PUC de São Paulo, atualmente é professor na Universidade São Judas Tadeu e colaborador da Revista Onda Latina. Mestre em Linguística Aplicada pela PUC/ SP, é também especialista nas línguas espanhola e inglesa, tendo participado de importantes congressos e cursos, no Brasil e no exterior, com trabalhos acadêmicos publicados sobre os meios de comunicação, especialmente jornais e televisão.